Há cinco anos trabalhando como granjeiro em sistema integrado, o produtor Denis Lopes de Almeida, do bairro Faixinal, em Angatuba, conta que em 2009 chegou a ficar cerca de cinco meses sem receber pela produção. Agora, em 2010, apesar de achar que o preço pago pelo frango não é dos melhores (entre R$ 0,27 a R$ 0,30), ele diz que a situação está voltando ao normal e já está recebendo em dia. “Houve dias piores, mas o que não dá é ficar parado. É um investimento muito alto”, comenta Almeida, que possui dois barracões com capacidade para 26 mil frangos cada e investiu no local cerca de R$ 150 mil.
O pagamento em dia é sinal que o setor avícola, que ainda sente os reflexos da crise financeira internacional que estourou no final de 2008, começa a se reestruturar. Segundo a União Brasileira de Avicultura (UBA), o setor avaliou mal o fim da crise internacional em 2009, acelerou a produção, elevou a oferta e sofreu forte redução nos preços do frango no mercado interno.
O crescimento no alojamento de pintinhos foi um dos fatores que contribuíram para a estagnação em 2009. Com a demanda menor em alguns países para os quais o Brasil exportava e o câmbio desfavorável, os segmentos envolvidos nessa cadeia, como produtores, indústrias e exportadores, foram afetados, com o excesso de oferta. Avicultores integrados, como Almeida, não sentiram o efeito nos preços, já que o valor pago pelo frango manteve-se estável. No entanto, sofreram com o atraso nos pagamentos, já que o setor industrial não conseguiu grandes lucros.
Para 2010, a espera é por melhores condições a partir de março, já que todo ano é comum a queda do preço do frango entre janeiro e fevereiro, uma vez que o consumo interno costuma cair nessa época.
Com a volta às aulas o cenário começa a mudar. A UBA costuma registrar um aumento de 8% a 10% no consumo e cerca de 5% no preço em março. Além da demanda maior, outro fator ajuda na recuperação do mercado é a quaresma, período em que, segundo os católicos, a recomendação é evitar o consumo de carne vermelha.
Para Almeida, não é o preço que reflete em sua produção. “O valor pago por cabeça se mantêm estável. Mas a criação costuma aumentar depois de março”, explica. Na granja com capacidade para 52 mil animais, hoje ele trabalha com a média de 48 mil frangos. Com a melhora no setor, ele terá a possibilidade de exploração máxima da capacidade, podendo aumentar a sua renda em mais de R$ 1 mil por granjada.
Fonte: Correio de Itapetininga