O grande volume de água das chuvas dos últimos meses teve impactos negativos em algumas culturas plantadas na região. Um levantamento realizado aponta o percentual de perda de área ou de produção decorrente das chuvas dos últimos 30 dias para estimativa de prejuízos econômicos. Em culturas como o feijão, as perdas chegaram a mais de 50%.
“A cultura do feijão sendo sensível ao excesso de chuva durante seu ciclo, foi prejudicada, pois possibilitou a entrada de doenças e dificuldade na colheita. Resultou na baixa produção, baixa qualidade e preço baixo”, aponta o relatório.
Em janeiro, o índice pluviométrico registrado pela Cati apontou 371 milímetros em Itapetininga. Número menor apenas que janeiro de 2004, quando o mesmo mês registrou 405 milímetros. No entanto, no acumulado, a incidência de chuvas é maior, já que dezembro de 2009 registrou 336 milímetros, quando na média dos últimos tempos o ultimo mês do ano não costuma atingir os 200 milímetros.
O agricultor Toshimito Varikoda , 71 anos, tradicional produtor de grãos, conta que perdeu o feijão na roça. “A planta tem necessidade de umidade e sol. Mas com a chuva e o tempo encoberto a situação ficou difícil. Tem feijão perdido que está lá até agora. Não deu preço e não deu pra colher”, comenta.
O agrônomo Nelson dos Santos Meira, do Núcleo de Produção de Sementes do Cati de Itapetininga, explica que tais condições climáticas tornaram o feijão suscetível a doenças e pragas. “O excesso de umidade facilita a entrada de doenças e dificulta o controle de pragas. Já que com o excesso de chuvas o agricultor teve dificuldades em efetuar a pulverização e realizar a colheita. Outro problema enfrentado foi o escoamento da produção, com as fortes chuvas, muitas estradas da zona rural tornaram-se intransitáveis.”
Walcride Benites Cardoso e Adriano Pires, tecnólogos em agronegócios da Casa da Agricultura, também comentam os motivos da perda com o feijão. “A colheita era pra ser em dezembro. Mas com as chuvas, muita gente não conseguiu colher, a planta ficou suscetível a doença, não conseguiu pulverizar e aquele que conseguiu colher não conseguiu atingir qualidade e preço. O agricultor sabia que a planta tinha doença, mas por causa do clima a máquina não podia entrar”.
Eles comentam que apesar do feijão não ser uma cultura predominante em Itapetininga, côo o milho e soja, a área de produção tinha aumentado em relação ao ano anterior, uma vez que muita gente tinha plantado pensando nos resultados do ano anterior, quando o feijão atingiu preços altos.
Para o agricultor Toshimito; “a chuva é abençoada, mas quando passa da conta é como remédio. Se aplicada em dose muito grande se torna prejudicial.”
Fonte: Correio de Itapetininga